Rui Chafes 'Tranquila ferida do sim, faca do não'

Rui Chafes 'Tranquila ferida do sim, faca do não'

jeudi 14 mars 2013samedi 25 mai 2013


Lisboa, Portugal

A Galeria Filomena Soares apresenta a exposição individual de Rui Chafes (Lisboa, Portugal, 1966), intitulada Tranquila ferida do sim, faca do não. A inauguração no dia 14 de Março contará com a presença do artista e a exposição irá estar patente até o dia 25 de Maio.

«Um espaço, dependendo da sua estrutura geométrica, poderá ser investido de uma dimensão sacral que, normalmente, está ocultada. Muito mais difícil do que enchê-lo é esvaziá-lo, virá-lo do avesso, operar a sua inversão de forma a aproximá-lo do “quase nada”, do “antes do nada”. Torná-lo magro, como queria, desesperadamente, Alberto Giacometti. Um espaço austero, de redução e ascetismo, de total despojamento e esvaziamento. Não podemos ter medo do vazio, do silêncio e da ferida. A dimensão abstracta da religião passa, também, por essa coragem.

Trata-se de encher o vazio com o vazio, não de o encenar. Cada escultura é um núcleo cerrado, retraído, fechado para dentro, obscuro, concentrado; um espaço vazio, de clausura, uma prisão fechada sobre si mesma. Cada uma é um cárcere vazio, onde a luz se dissolve nas estreitas frinchas que definem a sua estrutura: uma concentração de escuridão que absorve a luz e o espaço. As suas escuras fendas são feridas íntimas, entradas íntimas para a obscuridade do corpo.

Uma escultura, no seu retraído formalismo e na sua impessoalidade icónica, cria um lugar hierático e rígido, um núcleo de redução, austeridade e ascetismo, uma transcendência através da depuração, da pobreza próxima da essência. Ausência de encenação: o vazio dentro do vazio. Ela não é só um objecto, é, também, a sua relação com o nosso corpo, a escala do confronto entre a nossa dimensão e o seu tamanho. Faz-nos pensar, também, a distância que percorremos até chegar ao pé dela, o tempo que demoramos, a consciência total do espaço que atravessamos e que, havendo a necessária coragem e confiança, nos levará a saber que “a primeira coisa a morrer são os olhos”.»

Rui Chafes
Lisboa, Fevereiro 2013

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Galeria Filomena Soares presents a solo exhibition of Rui Chafes (1966, Lisbon, Portugal), entitled Quiet wound of the yes, knife of the no. The opening on March 14th, will count with the presence of the artist and the exhibition will be open to public until May 25th.

«A space, depending on its geometric structure, might be invested by a sacred dimension that would normally be out of sight. A lot harder than filling such a space up, would be to void it, turning inside out. To operate its inversion in order to bring it closer to the “almost nothing”, to the “before nothingness”. Thinning it, the way Alberto Giacometti desperately wanted to. An austere space, of reduction and asceticism, of stripping and of emptying. We cannot fear emptiness, silence or the wound. The abstract dimension of religion also goes through that same courage.

It's about filling up emptiness with emptiness,- not pretending to do so. Each sculpture is a closed nucleus, retracted, shut to the inside, obscure, concentrated; an empty space of enclosure, a prison locked on itself. Each one is a vacant cell, where light dissolves itself through the narrow openings that define its structure; a concentration of darkness that absorbs both light and space. Its dark crevices are intimate wounds, intimate entrances for the obscurity of the body.

A sculpture, in its retracted formalism and its iconic impersonality, creates a hierarchical and rigid place, a core of reduction, austerity and asceticism, a transcendence through purification, of the maximum poverty close to the essence. Absence of performance; the void inside the void. It is not merely an object, it's also its relation with our body, the scale of the confrontation between it and our own magnitude. Causing us to reflect also on the distance we walk until we reach it, and that, summing up the right amount of courage and confidence, will lead us to the knowledge that “the first thing to die is the eye.»

Rui Chafes
Lisbon, February 2013